Acordo em desacordo
O PROBLEMA
Uma discussão longa e acesa, esclarecedora e demagógica, divisória e nacionalista. O debate sobre o Acordo Ortográfico cresceu nos últimos meses de uma maneira inusitada, quando há já quinze anos está tudo planificado. Mas o “Manifesto em Defesa da Língua Portuguesa Contra o Acordo Ortográfico” está a dar dura luta e a evidenciar diversos argumentos válidos e pertinentes. “É inaceitável a supressão da acentuação, bem como das impropriamente chamadas consoantes “mudas” – muitas das quais se lêem ou têm valor etimológico indispensável à boa compreensão das palavras. Não faz sentido o carácter facultativo que no texto do Acordo se prevê em numerosos casos, gerando-se a confusão.”
De facto (eu leio o “c”) na sua essência enquanto reforma ortográfica, estou de acordo. É na sua especificidade que discordo. A redução da palavra escrita à condição fonética é uma simplificação prejudicial. Certo que imensas palavras “minguaram” ao longo de séculos, a evolução da língua ditou mudanças que podemos considerar naturais, mas outras podemos observar como estranhas ou injustificadas.
Incongruências diversas existem ora no modo como as grafias evoluíram, ora no modo como deixámos que as distâncias nos diferenciassem. Este acordo é tanto vantajosa, como falaciosa. Não vamos falar português com sotaque brazuca, nem vai facilitar o ensino da língua. Apenas torna una, o que outros idiomas globais sempre tiveram. As especificidades gráficas no inglês (color, colour) são mínimas comparadas com o português dos dois lados do Atlântico. A evolução da grafia lusa no Brasil mais se deve ao imenso caldeirão de culturas e gentes que, na sua oralidade, modificaram de tal modo o português que este se afirma mais diferente (e original) que o inglês falado nos EUA, na África do Sul ou na Austrália. Nunca houve uma base comum para o ensino da língua portuguesa, como Vasco Pulido Valente refere ao enunciar o exemplo do ensino do inglês com base na tradução da Bíblia de 1611, a King James Bible. O Império Britânico “muniu” o seu sistema de ensino com uma grafia-padrão, onde pequenas variantes que mais tardem surgiram, em nada originaram as curiosidades que observamos por cá.
É tudo muito confuso, mas paradoxalmente, claramente simples. Permitir que haja uma só grafia reconhecida e usada por todos os falantes de português é legítimo e necessário. Contudo, erros do passado não serão emendados, nem agora nem nunca. O distanciamento desde o início do século XX trouxe-nos diferenças que nos embaraçam, nos estranham, mas que também nos podem unir. Mais uma vez os paradoxos no uso da língua. As excepções continuarão, sendo algumas delas bastante confusas. Mais uma vez por causa do modo como falamos, e não tanto da maneira como as escrevemos. A pronunciação da palavra evidencia toda a diferença.
E temos também a beleza gráfica das palavras. A simplificação elimina o carácter estético que mesmo as palavras possuem. Quanta classe e sedução existe em “Victor” que em “Vitor” simplesmente não se vislumbra…
O modo mais simples, e mais “letal” para a afirmação de duas grafias passa por exemplo por práticas inconcebíveis como em cimeiras entre Portugal e Brasil, o texto comum ser distribuído em grafias diferentes. Porquê? Será que por isso o outro não entenderá? Será o orgulho da língua escrita mais valiosa que a compreensão do idioma falado? E aí voltamos de novo ao problema - por que não uma grafia comum?
As resistências à inevitável nova grafia existirão na nossa geração. As gerações seguintes não colocarão quaisquer entraves, e a língua fluirá normalmente. Então é uma derrota à partida a luta contra o acordo? Depende dos próximos anos de implementação.
O Manifesto não se ficará por aqui. Vasco Graça Moura continuará a apresentar as suas razões até que a voz lhe doa. E eu continuarei a escrever de facto o que acho mais correcto e óptimo.
AS DIFERENÇAS QUE NOS UNEM
É a diversidade que embeleza o espírito humano. Compreendo a problemática do ensino do português por professores brasileiros. Ou melhor, não há. O modo diferente dos seus alunos conhecerem o português será mais pela oratória que pela escrita. A confusão (se houver, que duvido) pode vir daí. Mas está aqui, como no português falado em África que maravilha de forma original a oralidade da língua. Claro que deverão haver regras, mas as especificidades devem ser respeitadas e não eliminadas de forma expedita ou sem critério cientificamente válido.
UMA DEFINIÇÃO ESTRATÉGICA DA LÍNGUA PORTUGUESA
Afirma-se que com o Acordo o Português pode passar a ser uma das línguas oficiais das Nações Unidas. Será isso que falta? A indecisão entre uma grafia e outra tem sido assim tão problemático que impediu até agora esta “valorização”? Custa-me a entender estas coisas. A riqueza e a beleza do português europeu não ofuscou nunca a do português brasileiro. Quando Guimarães Rosa ou Mia Couto inventam novas palavras é com alegria que todos nos devem sentir, pela capacidade criativa que um idioma consegue possuir. O futuro da língua portuguesa insere-se num contexto mais lato - na definição estratégica da Lusofonia. dentro da comunidade dos povos lusófonos e, para o mundo. A afirmação da nossa especificidade cultural e linguística é ponto de partida para um ideal novo, moderno e tradicional, humanista e de cidadania.
2008-05-30
War, what is it good for?
“Violence never brings permanent peace. It solves no social problem: it merely creates new and more complicated ones.”
Martin Luther King Jr
No matter what, war has and always will be the worst of men. One can defend or question the morality of war, even its justice and legality. But in the end, one of the natures of the human condition cries out so loud by holding such actions with so intense violence, destruction and murder.
The vision of a common good with the loss of the few to save the many can in ways be regarded as acceptable as it is unacceptable. The true meaning of life has no respect in any corner of the world, for only power is the ultimate choice, only vengeance is the highest standard. While mankind persists, having the right or not, to engage into actions and reactions of war, the belief of an evolving species will always be left behind. War, terrorism, or any kind of violent offence against someone, is the upmost way of demonstrating how ugly we are, of how frightening we can act. War and violence will persist as long as evil lives within us.
The fight for war is in many cases the wrong answer. The fight for peace has to be always the right action. Easier said than done, the variables that lay before us are dreadfully challenging. The right to defend ourselves cannot help us avoiding the “difficult questions about the relationship between war and peace, and our effort to replace one with the other” as said by President Obama on receiving the Nobel Peace Prize, that I advise to read or watchfor his vision of war and peace, the truths and nature of both, and the questions he unfolds trying to find ways to understand the need and the way to conduct war.
I raise these questions. Can wars be just? Can it be a means to achieve a just peace? How to fight with honor and respect? Is that possible? How to avoid the loss of peoples lives and save broken societies that war brings upon them?
The undeniable truth is that the codes of war are frequently broken, because even in the best effort to avoid it, war is simply war. There is no such thing as a clean war, a simple war, a deathless war. In war we hate, in war we kill, in war we die. Mistakes are made, atrocities are committed, collateral damages happen. That is the terrible reality of war. Because wars between armies has always gave way to wars upon people, who suffer the most in their innocent or neutral side. War is the power over life and death.
The romanticized wars never happened. It is the ideology behind those conflicts that drive men into battle. The pursuit of objectives are most likely to find means that bend the notions of legality, ethics and sanity.
War is no video-game. It isn’t an adrenaline addiction, rising when some feel the thrill of combat forgetting or disregarding the victim’s horrifying pain in their struggle for survival.
This fight in Afghanistan has been going on for too long. It is history repeating. The Nineteenth century British army failed. The XXth century Soviet army failed. The XXIst century US and allied armies walk to failure. These Afghan War Logs provide us facts and proof of how bad and how wrong a war can be faught, on how political strategies are often misguided, on how war is ultimatley the final standing point of a killing machine that brings no results. The way to end this war must be put in practice. The concepts that the West upholds are falling every day with every soldier and every children wounded or dead.
The fight for freedom and justice is paramount when we engage against the Taliban, a clear and present danger to Afghan society, specialy to women. And against Al-Qaeda as a worlwide threat. But if we lose our integrity and our values, half of the enemy’s struggle is already won. Iraq and Afghanistan are the living dead proof of that. What have these wars been good for?
2010-07-26
Capas para colecção “Livros que Mudaram o Mundo”, Público
(Projecto pessoal)
Coolpark: Identidade, assinatura
via Elemento Activo
Uma iniciativa de um estudante de Mestrado em Cinema que, em conjunto com outros amigos cinéfilos, pretendem lançar o debate e o regresso de uma exibição regular e coerente de cinema na RTP2.
http://www.cinedrio.blogspot.com/
http://peticao-rtp2-cinema.blogspot.com/
http://www.facebook.com/pages/Pelo-regresso-da-exibição-regular-de-cinema-à-RTP2/112201078836298?ref=ts










